Movendo Atitudes

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Inventividade

Ana Carolina Soarejes

Ana Carolina Soarejes

Ana Carolina Soarejes Ana Carolina Soarejes

Nome completo: Ana Carolina Soares de Jesus

Idade: 22 anos              

Profissão/formação: Bailarina e arte-educadora. Formação em Dança pela ELD (Escola Livre de Dança) Atualmente é integrante do grupo Danceato

Hobby: Amo ouvir músicas... Boas músicas!

O que move o mundo para você? O poder de transformação. Não somente de um indivíduo, mas do universo como um todo.

 

Movendo Atitudes: Você faz parte da Cia de dança Danceato, como foi seu ingresso nesse coletivo?

Ana Carolina: No ano de 2010, quando ainda era estudante de dança, participei da audição para novos integrantes. Desde então faço parte do grupo. 

M: Como é fazer parte de um grupo independente que existe há 13 anos?

AC: Creio que seja uma responsabilidade enorme subir em um palco. Quando vamos “expor” nossos trabalhos, temos que ter a consciência de que muitas pessoas irão se identificar ou não com eles. Porém o mais importante não são as criticas positivas ou negativas, e sim o quanto ele toca o expectador, e quantos foram tocados. Essa é a nossa proposta, chegar ao maior número de expectadores possíveis. Tentar levar um pouco da sutileza da arte a todos.

M: Em sua opinião, o que é fundamental para um grupo manter-se firme durante todos esses anos?

AC: Fundamental e imprescindível com certeza é o amor pelo que se faz. Em todas as áreas creio eu. O Danceato é um grupo independente (não temos apoio financeiro de nenhuma entidade) e que surgiu como extensão de uma oficina de preparação corporal voltada para atores, ministrada por Ana Bottosso, que é diretora do grupo, junto com Ton Carbones. Por tanto nos mantemos com editais, mostras e outras apresentações feitas pelo grupo.

M: Na Cia. Danceato, todos os integrantes participam do processo de criação? Como funciona esse processo e de que forma vocês se articulam? De onde vêm às inspirações para criar um projeto/espetáculo?

AC: Sim, temos a liberdade de nos expressar e articular durante o processo de criação. Temos pessoas experientes por trás (diretores) que nos encaminham, e conduzem algumas coisas. O Danceato tem essa característica, que é uma filosofia muito bem vista nos dias de hoje. Intérprete-criador, essa foi a minha formação pela ELD, e por isso me identifico com o grupo. Somos todos trabalhando por um bem coletivo. O nosso último trabalho teve direção do Ton Carbones e mais uma vez tivemos uma imensa liberdade na parte de criação. Levamos personagens que marcaram nossa memória, personagens reais que de alguma forma ficaram em nossas lembranças. Nossos anseios e a forma como enxergamos as pessoas das ruas.  E disso surgiu o Espetáculo Sob o teto de Isabel, o nosso último trabalho. 

M: Existe uma gama de editais voltados para dança. Com essas diversas possibilidades como vocês se organizam? Utilizam espetáculos que já existem ou criam novos de acordo com as características de cada edital?

AC: Isso varia de acordo com a proposta do edital. Se for um edital de criação, por exemplo, o nosso trabalho é focado na criação de um novo espetáculo. Já se for de circulação podemos utilizar trabalhos não inéditos

M: Grupos independentes costumam passar por algumas dificuldades, você poderia citar algumas experiências e dicas do que fazer para evitá-las?

AC: No Brasil, para se viver da arte é preciso conviver com algumas adversidades, pois por mais que tenha evoluído, e esteja crescendo e surgindo novas políticas de apoio à arte, o meio artístico ainda é restrito, muito fechado. Muitas vezes temos que saciar nossas necessidades com outros projetos que não seja voltado a linguagem artística que escolhemos. Infelizmente isso é uma realidade. Porém volto a falar que sem amor ao que se faz nada teria sentido, e é por isso que continuamos na luta, pelo amor a dança e de estar no palco. Sou muito grata e honrada, pois hoje ganho meu sustento da linguagem artística que escolhi para a minha vida. De um jeito ou de outro estou inserida e ligada à dança, com minhas aulas, apresentações, etc.                                                   

M: Mas sempre há situações bacanas que foram superadas e que geram boas lembranças, conte-nos alguma que aconteceu com você ao longo dos seus 2 anos e meio como bailarina do Danceato.

AC: Tenho algumas histórias sim, algumas lembranças... E boas lembranças. Sem dúvida dançar na chuva em plena Cracolândia foi uma das mais fortes que vivi nesses quase três anos de grupo. Estávamos apresentando um espetáculo que traz a cena o retrato de pessoas e personagens do cotidiano da rua que nos cercam dia-a-dia e que mal são percebidos, e é um espetáculo para a rua, por isso o lugar inusitado. Foi muito gratificante ver a expressão daqueles moradores de rua ao vivenciarem a apresentação, e receber um abraço, um aperto de mão e ouvir deles uma frase como: “nossa, gostei muito disso, me deu vontade de sair dançando também...”. Sem demagogias, pra mim, isso foi demais.

MA: A Cia Danceato já foi contemplada com o PAC (Programa de Ação Cultural da Secretaria de Estado da Cultura); Caixa Cultural; Funarte de Dança Klauss Vianna, e Proac, o que você considera importante ter para conquistar verbas de editais como esses?

AC: Bons projetos, boas idéias. Tendo algum diferencial na proposta. 

MA: Além de bailarina, você é professora de Dança. Como é dar aulas para crianças com necessidades especiais?  O que essa experiência agregou para você como profissional e ser humano?

AC: É um grande desafio, ensinar algo às pessoas. Temos que ter muito discernimento e propriedade daquilo que é ensinado. Hoje leciono para crianças, e sinto um enorme carinho por todas elas, e que me enchem de orgulho e bons sentimentos. São seres iluminados, capazes de transformar meu dia. Este ano tive um novo desafio, que me trouxe muita experiência, e que foi trabalhar com crianças portadoras de necessidades especiais. Tento plantar algo de bom em cada uma delas, tento implantar na nossa rotina de aula, mais que saltos e pliês. Procuro ensiná-los sobre a importância de se respeitar o próximo, sobre a importância de respeitar as diferenças, dentro e fora de aula. Mostrar que há vários caminhos para se aprender, e que todos são capazes de aprender, criar e realizar.

MA: Que mensagem você diria para grupos de dança, ou coletivos de outras áreas artísticas que estão iniciando?

AC: Tudo, seja o que for, faça com AMOR. Sendo verdadeiro com seus sentimentos, sendo responsável com os colegas que irão dividir o palco com você, e sem dúvida com o publico que deseja atingir.

Saiba mais sobre o trabalho da Ana Carolina Soarejes: 

Site Cia Danceato

Facebook Danceato

 

 

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